Helena
de Castro
Nos
últimos dias assistimos ao show que se transformou o julgamento do caso que
ficou conhecido em todo o Brasil como o dos mensaleiros.
Após o
voto de um dos ministros do STF, Ricardo Lewandowski, contrariando o voto do
relator do processo, o debate tomou conta da mídia e contagiou a população.
No
programa apresentado pela jornalista Mônica Waldvogel na Globo News quinta-feira, 23/08/12, um advogado presente disse que a
decisão do ministro Lewandowski estava baseada nos autos, e que um processo é
feito de linguagem, e que a linguagem é limitada. Segundo ele tudo o que o
ministro disse, de fato estava nos autos. E que o mesmo se pode dizer do outro
ministro, o relator Joaquim Barbosa, com votos e opiniões opostas às do colega.
O que
ocorreu então? A linguagem não diz tudo, é limitada, e os seus significados
encontram eco nos significantes de cada um.
Indo um
pouco mais adiante, cito o colunista Merval Pereira, no jornal O Globo de domingo, 26/08: “Existe uma
máxima usada por um dos advogados dos réus, de que o que não está nos autos não está na vida”. Merval finaliza a coluna citando que haverá
juízes que saberão fazer nexo entre causa e efeito, e não irão considerar
coincidência o fato de Marcos Valério estar nas duas pontas no caso de João
Paulo Cunha.
Já para
o ministro do Supremo, Luiz Fux, “a verdade é o que se infere”, mostrando que a
verdade é a de cada um. Mas, ressalta ele, na justiça trabalha-se com a
“verdade suficiente”.
Na vida como na psicanálise não há coincidências. Há lei da física: ação
e reação, causa e efeito. A Justiça, e todos os que dependem de suas decisões,
teriam muito a ganhar se tirasse a venda dos olhos e lesse o que está para além
da letra, para além das limitações da linguagem. Se lesse também o que a vida escreve!
Nenhum comentário:
Postar um comentário